PAQUETE FUNCHAL – 50 ANOS PROMOVENDO PORTUGAL
Humberto Ferreira
Alguém ouviu falar do programa do centenário do Turismo oficial? Ora o Congresso Internacional de Turismo, réplica do de 1911, realiza-se na Sociedade de Geografia, de 12 a 16 de Maio e há várias eventos, exposições, e espectáculos, com a presença das altas entidades.
Esperamos que seja realçado o papel dos transportes no turismo, nomeadamente os marítimos, e a ajuda dada pelos Touring Clubes (actual ACP), Caminhos de Ferro e armadores europeus na consolidação do Turismo no início do século XX.
Espero que se reconheça o contributo da Gazeta dos Caminhos de Ferro e da Sociedade de Propaganda de Portugal, excelente exemplo da promoção turística liderada pelos privados, assim como o papel dos navios de passageiros, por dinamizarem as excursões locais.
À chegada dos paquetes a Lisboa e Funchal, eram mobilizados táxis e automóveis da época, que partiam para Sintra, Estoril e outros destinos na Madeira, com centenas de turistas. Na exposição Viajar em 1910, do Centenário da República, estava exposta uma grande foto do Cais do Sodré, ponto de partida para essas excursões de automóvel para Sintra e Cascais, com passageiros dos paquetes ingleses e italianos.
O CONTRIBUTO DO PAQUETE FUNCHAL
Outra sugestão é associar os 50 anos deste fabuloso navio construído na Dinamarca e chegado a Lisboa em Outubro de 1961, o último dos 56 navios construídos ao abrigo do despacho nº 100 do ministro da Marinha, almirante Tomás, que abrangeu 26 paquetes entre 1946-61.
Ora quem pode mais comemorar 100 anos de Turismo e ter um paquete com 50 anos, acabado de renovar e pronto para agradar nos mais exigentes mercados internacionais?
O Funchal foi remodelado em 1973 para cruzeiros e em Maio de 1976 foi, pela primeira vez, fretado pelo armador grego George Potamianos, até que, em 1985, o adquiriu. Seguiram-se 25 intensos anos de cruzeiros, que o levaram a todos os continentes, com comando e tripulação maioritariamente portuguesa.
Face às novas exigências da Convenção Solas, este armador decidiu, em finais de 2010, renová-lo e investir mais 12 milhões de euros, adaptando-o às novas regras marítimas. Encontra-se num estaleiro do Tejo, para reiniciar nova temporada em Julho, incluindo o cruzeiro do cinquentenário à Madeira. Motivo para o seu armador ser distinguido pelas autoridades do país, onde fixou a sede da empresa e a base da frota de cinco navios com bandeira portuguesa.
CELEBRAR EFEMÉRIDES
Assim como honrar o passado para dignificar o futuro. Em 2011 completam-se 90 anos do 1º voo Lisboa-Madeira por Sacadura Cabral, Gago Coutinho, e Ortins Betencourt. Serviu de ensaio para a 1ª travessia aérea do Atlântico Sul em 1922. Feito histórico celebrado no Brasil a 17 de Junho. O Clube Militar Naval inaugurou um padrão comemorativo na antiga Base da Aviação Naval no Bom Sucesso, que foi retirado para a construção de um hotel no local. A base de pedra ainda lá está, mas o padrão está afastado, escondido por automóveis. Ambas as efemérides merecem ser projectadas nas acções de promoção externa nesta fase crítica da vida nacional. Não se estranhe que os estrangeiros nos admirem mais pelo passado.
A 30 de Abril, um grupo de 100 Sea Cadets britânicos vai ao Museu da Marinha homenagear os navegadores e aviadores portugueses, enquanto a auto-estima lusa vibra mais com a bola, a arbitragem e apagões no estádio!
VALORIZAR RECURSOS
Todos, mas em princípio os prioritários, desde que sejam estratégicos genuínos e exportáveis, como os provenientes do mar, turismo receptivo, transportes internacionais, desportos, cultura, cortiça, mármore, cristais, porcelana, móveis, vinhos, gastronomia e restauração, moda, calçado, agricultura, águas termais, artesanato, azulejos, eventos, etc. Apostando sempre no design, qualidade e clusters fortes.
Aliás, a formalização dos clusters económicos foram sugeridos em 1994 por Michael Porter mas adoptados apenas pelo Calçado e Vinhos. Nem o Turismo aderiu e os transportes ainda não contribuem para a conta satélite do turismo. O simplex tarda mas da crise poderá nascer a oportunidade!
A reorganização do país e das actividades marítimas estão na ordem do dia. O Mar pode ser o próximo cluster a formalizar, a partir da articulação das diversas iniciativas recentes, entre as quais o Fórum Empresarial da Economia do Mar.
AGENDA ATÉ 2014:
MENOS PROVEITOS, MAIS CUIDADO NOS INVESTIMENTOS
Em Abril não há “quadro de honra”. Os nossos credores querem aparentemente encurtar as férias e eliminar o respectivo subsídio, que, por sinal, corresponde à diferença de se pagar 52 semanas por ano ou 13 meses de quatro semanas.
Uma ajuda voluntária para se abreviar, por exemplo, uma prestação do resgate, vá lá! Mas NUNCA sacrificar mais quem passa mais de 12 horas fora de casa, a trabalhar horas extras sem receber, num país desorganizado e mal servido de transportes.
Os portugueses não são menos que os alemães. A maioria também merece férias e pausas, e melhores remuneração pelo trabalho.
São três as razões que me aconselharam a não incluir ninguém no “quadro de honra” em Abril.
O FEEF e a Comissão Europeia deveriam aplicar em todos os países-membros os feriados bancários europeus e a implementar um modelo de remunerações salariais semelhante em toda a União Europeia.
Moeda única sem sistema fiscal uniforme e sem travar a deslealdade competitiva e produtiva, só conduzirá ao fracasso do Euro.
Em Inglaterra há seis feriados bancários, pois o segredo é exactamente distribuir as pausas intermédias, a que os trabalhadores têm direito, para estimular a economia do Turismo e neutralizar a sazonalidade. Se atacam mais o Turismo, adeus Portugal e quem sabe? Adeus, Europa Unida!
Depois, da euforia de descontos de 60% nas vendas antecipadas de viagens de férias, o mercado doméstico projecta desespero ou especulação? Cuidado! 60% não é um desconto é um saldo ao desbarato!
E, por fim, o desgoverno da factura das parcerias publico-privadas, que subiu a 60 mil milhões de euros até 2020, além dos 80 mil milhões da emergência a receber agora do FEEF-FMI-BCE, são dívidas que sobrecarregam múltiplas gerações. E para cúmulo, a receita do FMI, afinal, é mais suave do que a dos europeus, comprovando que o nosso governo tem andado desnorteado!
O novo governo tem que ter mais cuidado no plano de prioridades para estimular a economia, preparando sim Portugal para negócios globais. Por exemplo, faz falta para concretizar a Nova Rota da Seda, da China para Sines, pelo canal do Panamá, a AE e linha CF Sines-Beja-Caia, assim como a mudança da bitola ibérica para a europeia na nossa rede férrea. O resto fica em lista de espera, pois quem não gere proveitos suficientes, tem que trabalhar mais e melhor e não ostentar tanto.
MARAVILHAS SABOROSAS
A organização do evento das 7 Maravilhas da Gastronomia esperava 700 inscrições das 10 regiões de sabores lusitanos, mas bastou aos 70 especialistas seleccionados, avaliarem 433 pratos para optarem por 70 pré-finalistas.
O Alentejo leva à final 12, Lisboa e Setúbal nove cada, Açores, Madeira, Trás-os-Montes-Alto Douro e Beira Litoral oito cada, Algarve, Entre Douro-Minho seis cada, Beira Interior três e Estremadura e Alentejo duas cada.
A sete de Maio, 21 notáveis da gastronomia (espero eu que sejam membros das academias europeias de gastronomia?) vão apurar 21 pratos finalistas – três em cada categoria e “voilá” a 7 de Setembro, a festa final em Santarém com a revelação das 7 maravilhas da gastronomia portuguesa 2011. Tratando-se de um sector dinámico, o evento deve ser realizado de sete em sete anos.
Acho que a restauração deve promover, depois de conhecidos, todos os 21 finalistas, pois todos certamente merecerão esse destaque. Os cruzeiros constituem outra boa plataforma de promoção da gastronomia dos portos visitados. Há cruzeiros onde são celebradas festas e refeições dedicadas aos países visitados.
Mas lamento a falha na acção pedagógica e nutritiva, ignorando-se a categoria de saladas (independente das entradas) em vez da caça (aliás houve apenas 14 opções cinegéticas). Na primeira fase foram nomeadas 19 receitas de marisco, 33 sopas, 61 entradas, 90 de carne, 91 de peixe e 120 doces, e na segunda fase foram excluídos o arroz-doce, caldeirada e morcela de arroz, e apuradas as tripas, caldo verde e caspacho alentejano.
Na época da Pascoa, resta-me desejar bom apetite.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
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